VELHA GUARDA (fundada em 27/02/1974)

 

Lista dos participantes da Escola em 1974

(na foto acima: Orsom, Miltão, Jezão, Minhoca, Dente e Dimas, no churrasco do Dom Bosco)

 

A escola teve início no dia 27 de fevereiro de 1974, numa quarta-feira de cinzas. A fundação aconteceu porque os meninos que gostavam de uma batucada, estavam sendo impedidos de tocar na Escola de Samba Mocó dos Anjos, escola essa que era formada por pessoas mais velhas, quase todos universitários, que estudavam fora de Piraju. A maioria dos integrantes da escola J.A., como é carinhosamente chamada hoje, eram adolescentes de no máximo 15 anos, que já sabiam tocar algum instrumento.

Os primeiros integrantes foram: Fabião, Dimas, Fernando Maluly, Alemão, Tufi, Nicão, Toni Braga, Ricardo,

Magno, Bambino, Guilherme, Zé Carlos, Eurico, Juninho, Bodão, Chicão, Carlinhos Show, Zé Augusto,

Djalma, Bosco Simões, Pedrão, Dente, Jeson, Rico, Samuka, Luis Claudio, Marcelo, Luciano, Orsom,

Peninha, Leonardo, Auriston, Gemeu, e Romeu Gióia. A maioria freqüentava o Iate Club diariamente.

No início foi formada uma Diretoria que tinha  Dimas como presidente. Mas passado alguns meses foi escolhido um novo presidente,  José Luiz, que era uma pessoa maior de 18 anos e que tinha mais crédito para reivindicar alguma coisa, mas o Dimas voltou a ser presidente onde dirigiu a Escola por 2 ou três anos.

Entrando em contato com Dimas, ele relatou o seguinte:

na verdade estava lá na 4.a feira de cinzas os sobrinhos Maluly, Fabião , Nicão e Alemão... e eu.  DEPOIS SAIMOS DA LI PARA A BRASILINHA! o sonho começava... a primeira sede social era no porão da casa do Maluly ali na esquina do jardim...consegui alguns instrumentos do Mocó...e logo a coisa foi tomando jeito...eu dei sugestão de algum nome e batalhei (como se sabe) para q FICASSE JUVENTUDE...(teve até eleição lá no porão) os nomes entre eles a JUVENTUDE ALEGRE (lembrando a mocidade alegre)... logo depois consegui apoio de uma gráfica que ficava ali perto do Supermercado Taufic, e toda semana cada integrante contribuia com 1 mil cruzeiros, que na época valia a entrada do Cinema (lembra). No final do ano fui para Sampa de carona e comprei uma porção de instrumentos (ainda havia ganho uma grana do Chico Pipoca).

Foram confeccionadas carteirinhas para todos os integrantes, e todos pagavam uma pequena mensalidade para poder participar. Com dinheiro da arrecadação através das mensalidades, também de rifas e arrecadação de jornais e garrafas que eram vendidos, foi possível comprar alguns instrumentos, a maioria reco-reco, agogô e frigideira. Até então eram usados os instrumentos da escola de samba Mocó dos Anjos, cedidos por Ricardo Assaf. O instrumento que mais foi esperado foi um treme-terra, nome do surdo, raro na  época e tem um forte som. A pessoa que tocava o treme-terra precisava fazer um grande esforço físico para carregá-lo, pelo fato dele ser muito pesado. Sem contar que para chegar ao local dos ensaios, geralmente em local despovoado e longe do local onde eram guardados os instrumentos, tínhamos que levar todos os instrumentos nas mãos. Mudávamos várias vezes de local, ou porque algum vizinho reclamava do barulho ou porque arrumavam um local mais apropriado. Pelo que me recordo vários locais foram usados para a gostosa batucada, dentre eles, a figueirona, a ponte da Nenê Freitas, as casas do Pedrão, do Chicão, do Juninho, do Bosco, a Brasilinha, o Iate Clube, o Clube 9 de Julho, e o prédio da antiga Wolks em frente a Brasilinha, mas também muitas vezes o batuque era na praça Ataliba Leonel, onde freqüentemente eram realizadas reuniões. A casa do Fabião Martinelle era o escritório, onde ficavam os documentos. Depois foi arrumado um local para sede que não me recordo no momento. No início o mestre de bateria era o Dimas, que tinha algum conhecimento, mas foi substituído pelo Fabião algum tempo depois e finalmente pelo Tuffi depois de alguns anos. Na verdade todos meninos davam alguma sugestão nos breques do samba, mas às vezes era difícil entrar em acordo e o ensaio acabava em nada. O local de encontro dos participante era a frente do Cine Jardim, hoje bloco comercial de propriedade de Gabriel Pires, onde às vezes ficávamos por muitas horas planejando e imaginando como ia ser o nosso primeiro desfile na Avenida. As dificuldades eram enormes, principalmente pelo fato de haver muitos adolescentes. Nem verba da Prefeitura, conseguimos para o primeiro ano, mas mesmo assim saímos. O primeiro desfile foi tenis , calção, tudo branco e a banda na cabeça. No outro ano era calça jeans com a perna direita cortada e as fitas coloridas ao redor da outra a música era "estrela Dalva". No terceiro ano foi um camisa com duas cores (vermelho e branco) e uma bermuda com as cores invertidas da camisa. As fantasias eram confeccionadas pelos próprios integrantes. Era escolhido um modelo e todos compravam o tecido na Casa Chic, para que não houvesse tonalidades diferentes de cor e mandavam nossas mães ou tias fazerem. O primeiro desfile a escola saiu praticamente só com a Bateria e alguns membros na comissão de frente. Não havia carro alegórico. Alguns blocos também saíram com a escola. O desfile era iniciado no começo da Av. Dr. Gallo, descendo a rua Carlos de Campos até a Praça Ataliba Leonel, onde era encerrado. Com o passar dos anos, foi mudado o itinerário dos desfiles por se tornar muito perigosa a descida para os carros alegóricos. A escola foi crescendo a cada ano e o  de 1979 se tornou um marco, pois a escola inovou, saindo com samba enredo cantado e a bateria também foi totalmente modificada com a ajuda de alguns integrantes de São Paulo. A rapaziada aprendeu rapidamente ao novo jeito de fazer samba e daí vieram as conquistas de vários títulos de campeã do carnaval Pirajuense.

 

"Eu posso lhe dizer, com toda autoridade, uma vez que fiz parte da primeira diretoria da JA, que o Dimas foi o cara que mais batalhou pela escola. Você se lembra, todos nós amávamos muito a JA, e fizemos um sacríficio enorme. Mas o que mais me chama a atenção é o fato dessa escola já nascer séria e bastante democrática, uma vez que todos os integrantes podiam opinar sobre qualquer assunto. Adotamos o "voto secreto" em quase tudo: escolha do nome da escola, escolha do presidente e diretoria, escolha das cores, destituíamos componentes que "pisavam na bola" e tantos outras coisas mais. Muitas escolas já nasceram e morreram em Piraju, mas a JA nasceu para ficar e brilhar. Eu participei nos anos de 1974 a 1976, portanto apenas 3 anos. Até hoje me causa surpresa, o fato de termos sido tão sérios, responsáveis e batalhadores, com a idade de apenas 14 anos. Depois fui tocar no Bairro Alto, uma escola muito legal e séria também. Parei de tocar em 1985 devido ao meu ouvido. Hoje está difícil ir à avenida. É preciso construir um sambódromo, pois há muitas pessoas e pouco espaço. Eu espero que outras pessoas, antigos componentes da JA escrevam e relatem um pouco da história dessa grande escola de samba. Fica aí uma dica, fazer uma homenagem ao Dimas de Mello Braga, um grande homem e grande amigo também, assim como o seu irmão, o Tony. Que saudade dos anos 70. Bons tempos aqueles." (relato do Prof. Cesar Monteiro de Barros)

 

(se alguém lembrar algum fato ou quiser melhorar este documentário, mande e-mail para :  zecagarcia@cednet.com.br)

 

estamos em busca de fotos da época, por favor quem tiver envie no e-mail acima