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ASPECTOS HISTÓRICOS DA CIDADE (*)
Diversas pesquisas fazem
os historiadores acreditarem que Piraju teve seu início por volta de 1800
(*), pelo fato de existir ali uma estrada que atravessava suas terras e
que servia de acesso de viajantes para diversas localidades da região.
Como ponto de passagem e graças à fertilidade de suas terras, diversos
colonos foram alí se estabelecendo, tomando posse e construindo as
primeiras moradias.
O lugar já era conhecido como
Tijuco Preto, quando ocorreu o ato de doação das terras ao Patrimônio
de São Sebastião, tornando-se depois "São Sebastião do Tijuco
Preto".
A doação foi feita por três
famílias: Joaquim Antonio de Arruda, João Antonio Graciano e Domingos
Faustino de Souza. A capela ficou construída na confluência de três
posses. A denominação "Tijuco Preto" vem da expressão do
Guarani TEYQUÊ-PÊ, que significa "caminho de entrada". Em 29
de agosto de 1872 foi instituído canonicamente com a denominação de
"São Sebastião do Tijuco Preto", pertencendo então ao município
de São João Batista do Rio Verde, hoje Itaporanga, sendo elevada à
Freguesia com o mesmo nome, pela Lei n.o 23, de 16 de março de 1871 e a
Município pela Lei n.o 111, de 25 de abril de 1880. Em 1891, atendendo ao
pedido da Câmara Municipal de Tijuco Preto, o Governo da Província
concedeu o nome de PIRAJU ao município, nome esse que vem do
Tupi-Guarani, e significa "peixe amarelo", devido a grande
quantidade de peixes dourados na região.
Como o Município foi
instalado em 10 de janeiro de 1881, sendo criado com a Freguesia de São
Sebastião do Tijuco Preto (Piraju), quando a primeira Câmara Municipal
tomou posse, presidida por Cândido José dos Santos (na época o
presidente da Câmara era o administrador da cidade).
Posteriormente foram
incorporados ao Município os distritos de Fartura, Sarutaiá, Manduri, São
Bartolomeu, e Tejupá. A Comarca de Piraju foi criada pela Lei n.o 80, no
dia 25 de agosto de 1892.
(*)
Apesar da estação de ferro de 1906, situada em uma das entradas da
cidade, indicar que ali foi um pólo importante no período áureo do café,
não dá para perceber que a ocupação daquelas terras aconteceu muito
antes da chegada dos imigrantes.
Existem
muitos vestígios de índios que a habitaram a região de Piraju há mais
de mil anos. Por causa disso foi criado o Projeto Paranapanema e o Centro
de Pesquisas Arqueológicas em Piraju. O Intuito é recompor os vários
cenários de ocupação humana, da pré-história até os dias de hoje. A
idéia é lembrar aos pirajuenses a sua história.

Ataliba Leonel (**)
1875 - 1934
Nascido em Itapetininga no dia 15 de
maio de 1875, onde passou a infância. Realizou seus estudos no Seminário
Episcopal e no Ateneu Paulista, para posteriormente cursar a Faculdade de
Direito do Largo São Francisco em São Paulo; matriculou-se no dia 5 de
abril de 1893, concluiu o curso e colou grau no dia 9 de abril de 1896.
Fixando residência em Piraju, deu início à carreira de advogado,
tornando em pouco tempo um profissional respeitado e acatado no meio
forense.
No dia 8 de maio de 1897, Ataliba Leonel,
com 22 anos, contraiu matrimônio com sua prima Francisca Leonel de
Barros, de 14 anos.
Filiou-se ao Partido Republicano Paulista (PRP) e candidatou-se a vereador
a 12 de agosto de 1899, sendo eleito com 248 votos, em 1º turno. Após as
apurações no dia 19 de agosto, já no dia 21 era escolhido, pelos seus
pares, presidente da Câmara Municipal de Piraju.
A 16 de dezembro de 1901, Ataliba foi reeleito vereador com 425 votos e
novamente conduzido à presidência da C6amara Municipal.
A 14 de fevereiro de 1903, novamente foi eleito a vereador pela 3ª com
450 votos e no dia 25 de fevereiro presidente da câmara pela 3ª vez.
Em 1º de dezembro de 1903, candidatou-se a deputado estadual, sendo
eleito acumulou o cargo de Presidente da Câmara, pois a legislação da
época permitia essa dupla função.
A 5 de novembro de 1904 foi inaugurada, com verbas do governo estadual, a
cadeia pública e o fórum, nesse ato foi elogiado muito o Dr. Ataliba
Leonel, que era presidente da Câmara Municipal e Deputado Estadual, que
por seu empenho, havia conseguido trazer esse benefício para Piraju.
A 29 de novembro de 1904, por ato do presidente do Estado, foi criado o
grupo Escolar de Piraju, que foi instalado e iniciou seu funcionamento em
1906. O prédio foi construído em 1913 e o nome de seu patrono (Ataliba
Leonel) foi dado em 1938. Este foi um dos primeiros grupos escolares da
primeira República.
A 30 de setembro de 1905 foi inaugurada a luz elétrica em Piraju, com a
instalação de 100 lâmpadas incandescentes de 25 velas. Essa grande
conquista ocorreu antes da cidade do Rio de Janeiro.
Em 9 de novembro de 1904, Ataliba Leonel foi eleito vereador pela quarta
vez com 402 votos no 1º turno e foi conduzido pelos seus pares à presidência
da Câmara também pela quarta vez, ao mesmo tempo que acumulava o cargo
de Deputado Estadual.
A
21 de abril de 1906, com a autorização do presidente do estado Dr. Jorge
Tibiriçá, foi lançada a pedra fundamental para a construção da estação
do ramal da Estrada de Ferro Sorocabana. Note que o projeto foi
desenvolvido pelo arquiteto Ramos de Azevedo.
A 7 de janeiro de 1907, Ataliba
Leonel foi eleito, pela quinta vez presidente da Câmara Municipal. A 25
de março de 1907, foi reeleito Deputado Estadual com 739 votos em Piraju.
A 25 de dezembro de 1907 foi reeleito pela quinta vez vereador, com 600
votos. A 23 de janeiro de 1908, foi eleito, pela sexta vez, presidente da
Câmara Municipal.No dia 5 de Abril de 1908, foi inaugurado oficialmente o
ramal da ferrovia, ligando Piraju a Manduri e, conseqüentemente, à
Estrada de Ferro Sorocabana.
Em dezembro de 1908, foram instalados os primeiros telefones públicos em
Piraju.
Em 1910, inaugurava-se o "Cassino Pirajuense", que funcionava à
Rua Carlos de Campos, esquina com a João Hailer (onde funciona hoje o
Banco Real), onde funcionava o cinema, para deleite da população
Pirajuense.
Em 1909 foi eleito vereador pela 7ª vez e sucessivamente eleito
presidente da Câmara em 1910, 1911, 1912, 1913, 1914, 1915, 1916.
Portanto Ataliba Leonel foi eleito sete vezes vereador e 14 vezes
presidente da Câmara.
A 15 de Janeiro de 1917, despediu-se da Câmara Municipal de Piraju e,
nessa sessão, foi eleito para presidência da Câmara Antonio Joaquim
Ferreira Braga, seu cunhado.
Ao mesmo tempo que o prestigio de Ataliba Leonel crescia no Estado, a
cidade de Piraju transformava-se dia a dia, com embelezamento e
desenvolvimento.
Em 29 de outubro de 1913, esteve em
a Piraju o ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, em visita
a seu filho Kermit, engenheiro da construção da ponte de ferro sobre o
Rio Paranapanema.
Em
1914, a prefeitura celebrou um contrato com "Caisse Generale de Prêts
Fonciers et Industriels", para a instalação do "tramway"
elétrico de Piraju a Sarutaiá. Essa linha de bondes que atravessava as
principais fazendas de café do município, atingia o distrito de Sarutaiá,
com 26 quilômetros de extensão.
Em
1915, sobre o Rio Paranapanema, achavam-se construídas duas pontes: um a
de madeira para o trânsito público e outra metálica, destinada
exclusivamente ao tráfego de bondes do "tramway" elétrico.
A energia era fornecida através do Salto do Monte Alegre, no Rio Monte
Alegre, distante 12 quilômetros de Piraju, que foi utilizado em 1901 para
a instalação das máquinas geradoras de eletricidade e que, desde essa
data, abasteceu o consumo de energia da cidade, até a construção da
nova barragem da Companhia Santa Cruz.
No dia 18 de julho de 1924, houve eleições para senador estadual e o
Partido republicano Paulista lançou Ataliba Leonel como candidato, que
foi eleito conseguindo aqui em Piraju 1387 votos.
A 5 de maio de 1925, novamente houve eleições para o Senado Estadual e
Ataliba Leonel obteve em Piraju 1488 votos que somados aos outros votos
obtidos no Estado, lhe conferiram a reeleição.
Em 1º de março de 1926, Ataliba candidatou-se a Deputado Federal e foi
eleito, obtendo 1255 votos em Piraju.
No ano de 1930, Ataliba foi o candidato mais votado no Estado para
deputado Federal, obtendo 24,97% dos votos na Capital.
Ataliba
Leonel foi o único civil nomeado pelo interventor Pedro de Toledo para
comandar a Brigada do Sul, que era composta de 6 mil voluntários.
Através do decreto do presidente Artur Bernardes, pelos relevantes serviços
prestados nos levantes militares de 1922 e 1924, foi conferido o título
honorífico de "general" ao Dr. Ataliba Leonel
Após a Revolução de 1932, Ataliba
foi exilado do Brasil para Portugal, onde foi ao encontro de um português
que havia morado em Piraju, o Sr. Antônio Ribeiro. Ficou em Portugal até
Abril de 1933, quando recebeu um ofício do embaixador o Brasil,
comunicando a autorização de seu regresso imediato ao Brasil.Dia 29 de
outubro de 1934 faleceu o General Ataliba Leonel e os principais jornais
do estado publicaram a manchete na primeira página.
Trechos da
notícia de sua morte: jornal "A TARDE" 30/10/1934
A morte do
General Ataliba Leonel, ocorrida ontem, em Piraju, causou profunda
consternação no seio da sociedade paulista, repercutindo em todo o país,
onde o seu nome era largamente projetado como o de um político honesto e
de um cidadão respeitável...
....Como chefe político de Piraju tudo fez para o engrandecimento
daquela cidade que hoje é uma das mais bem organizadas do Sul. Alguns
anos depois, devido ao seu dinamismo, Piraju ouvia o primeiro apito da
locomotiva que rasgando caminhos, ia ter àquelas paragens...
... Possuia o General Ataliba um caráter nobre, uma personalidade
completa. Teve inimigos, como todo homem, mas também teve muitos amigos e
grandes amigos, que por ele ofereciam a vida, considerando-o sempre, quer
nos momentos felizes, quer nos de desventura. O eminente chefe era
possuidor de grandes e indiscutíveis virtudes e força de comando:
corajoso, prudente e calmo, nunca recuou ante o perigo.....
* Extraído da Publicação "Piraju,
ontem e Hoje" (1988) Graf. Editora Sancir
** Extraído do Livro "PIRAJU MEMÓRIAS
POLÍTICAS" e outras memórias do Professor Miguel F. Saez Cáceres |