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Piraju,
um museu a céu aberto
Quem
chega à pacata cidade de Piraju, interior do Estado de São Paulo, não
imagina a movimentação do lugar no passado. Apesar da estação de ferro
de 1906, situada em uma das entradas da cidade, indicar que ali foi um pólo
importante no período áureo do café, não dá para perceber que a ocupação
daquelas terras aconteceu muito antes da chegada dos imigrantes.
Se
pudéssemos fazer como certas culturas indígenas, que quando dançam
fazem a terra contar histórias, ouviríamos as diferentes vozes que
habitaram a região de
Piraju há mais de mil anos. A nossa cultura, porém, prefere recorrer à
arqueologia para desvendar os mistérios da pré-história. A bacia do rio
Paranapanema, onde se encontra Piraju, começou a ter a sua pré-história
estudada há 30 anos.
Na
ocasião, agricultores acharam uma urna funerária no município de
Itapeva, e sem saber o que fazer com aquilo ligaram para o Museu do
Ipiranga. A pesquisadora do museu, Luciana Palestrini, não só se
interessou pelo caso como resolveu investir no potencial arqueológico da
região ao criar o Projeto Paranapanema e o Centro de Pesquisas Arqueológicas
em Piraju. Hoje, o projeto atua em 104 municípios da bacia do
Paranapanema. "Não é comum no Brasil uma área ser estudada com
tanta continuidade", diz o coordenador do projeto e arqueólogo José
Luiz de Morais.
Para
facilitar as buscas, o trabalho foi dividido em três áreas: alto, médio
e baixo Paranapanema. As áreas correspondem respectivamente às regiões
de Itapeva, Piraju e Presidente Prudente (ver no mapa). Em Piraju está a
sede do projeto.
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